Contra… Engenheiros Convencidos
Habitualmente, não sou contra nenhuma classe profissional em particular. Dizia eu “Habitualmente não sou”. Porque há uma classe profissional à qual tenho um “sentimento do contra” visceral, incontrolável… Pois… São os engenheiros…
Antes de começar a minha reflexão sobre esses mui nobres cavalheiros, gostaria de ressalvar que tenho alguns amigos engenheiros e outros que são estudantes de engenharia, que são uns queridos, uns porreiros. Com isto, quero dizer que não quero particularizar. Cada caso é um caso, apesar de ser do contra, não costumo fazer generalizações abusivas. Porque isso era entrar na lógica dos sofismos: “todos os engenheiros são parvos, logo todos os parvos são engenheiros”. Por isso, gostaria de ressalvar que nem todos os engenheiros são parvos e há parvos em várias classes profissionais. Digamos que este post se refere ao engenheiro médio… ou melhor ao engenheiro em formação médio.
O estudante de engenharia, quando passa na rua,sozinho, parece um ser humano normal. Vai com os seus cadernos e a sua esferografica bic, com ar de quem não dormiu na noite anterior a pensar porque raio a faculdade de letras não é ali ao lado… para de vez em quando poder olhar para umas miudas giras…
Põe um ar mais feliz quando encontra o seu grupo de amigos, e juntos antes da aula com o professor que nem sequer olha para eles enquanto fala, fantasiam sobre almoços e excursões às faculdades de letras, psicologia, escolas superiores de educação, cursos de serviço social, onde se encontram maioritariamente alunAs. Até aqui tudo muito bem.
O pesadelo, contra o qual eu me manifesto e sou peremptoriamente contra, ocorre em maio, onde num mesmo espaço se juntam os engenheiros em formação (podia chamar-lhes projecto de engenheiros, mas hoje estou assertiva) e as estudantes das mais diversas áreas. Esse espaço aprazível, silencioso e salutar chama-se queimódromo. E aí é que são elas. Perante tantas miúdas para olhar, os jovens engenheiros em formação dedicam-se (infelizmente para nós mulheres) às artes da conquista…
Isto é uma situação abjecta, por diversos motivos: eles não têm jeito nenhum para meter conversa, (uma tremenda falta de competência social), já estão para lá de Bagdade de tão bêbados e acham-se irresistíveis, matadores aos quais as pobres presas não podem resisitir, porque é humanamente impossivel. Obviamente que isto é uma visão unilateral apenas partilhada por membros da espécie. E lá vão eles à caça… E aí é que começa a ser muito aborrecido para nós, mulheres, porque para além de usarem técnicas primárias de conquista, são tremendamente invasivos e não têm consciência dos limites. As palavras inibitórias que deveriam ter aprendido aos 3 anos de idade são completamente ignoradas nestas alturas e parecem não compreender o significado de algumas palavras e expressões: “não”, “pára”, “vai embora”, “não estou interessada”…
É horrivel. Por isso, sou contra estas situações de engates criadas pelos engenheiros em formação… Deixo aqui alguns sinais de alarme para as fiéis leitoras, porque na próxima queima pode dar jeito, assim como a sugestão do comportamento mais adequado: fuga.
1. Um tipo aproxima-se de vocês, vocês não o conhecem de lado nenhum e ele tenta agarrar-vos a todo o custo para vos cumprimentar e ter algum contacto fisico com o sexo oposto, ainda que incipiente, apesar de vocês o tentarem por a andar… É engenheiro! Fujam! (Ou então chamem aquele amigo que é um querido e digam que é vosso namorado!)
2. Vão a passar e ouvem piropos dignos de um trolha… Fujam… Engenheiros à vista!
3. “Olá Ana! Espera… Não és a Ana, pois não? Beatriz? Carlota? Diana? Estefânia? Filipa? Gisela? Helena? Isabel? Joana? Katrine? Luísa? Mariana? Nice? Odete? Paula? Quiqui? Rita? Sofia? Tatiana? Úrsula? Vânia? Xana? Yasmin? Zeferina?”… fujam antes de chegar à letra B… Engenheiro na certa.
4. Vão a passar e alguém vos diz: “Quero dar-te um beijo na boca!”. Não é preciso dizer de quem estou a falar pois não?
Sou contra porque simplesmente não gosto destas abordagens. Acho também que as mulheres devem ser respeitadas, especialmente quando se dão ao respeito e mostram claramente que não estão interessadas…
Definitivamente contra engenheiros convencidos!